Realidade paralela

 Foi tudo em um instante.

O suor no rosto depois de uma corrida matinal incomodava. Escorria para a sobrancelha enquanto ela deitava fazendo os exercícios de respiração para o coração parar de bater acelerado.

Cansaço e alívio se misturavam dentro de si mesma depois de praticar o exercício físico de sempre. Aquilo era um dos melhores momentos da sua rotina: a liberação de serotonina era o suficiente para impedir os surtos no decorrer do dia.

Ela estava deitada no chão de sua cozinha assimilando a distância e o tempo certo que tinha corrido. Descansando.

Uma mão tocou seu joelho de forma cuidadosa e calorosa. Ela sorriu porque sabia quem era. Começou a pensar por onde começava a contar sobre sua manhã. Era importante falar o óbvio – horário em que acordou, ou o que comeu de café da manhã – ou podia pular para a parte em que encontrava um conhecido na praia quando foi caminhar?

Enquanto pensava a mão continuava tocando sua perna melada de suor, de forma reconfortante.

Decidiu que podia pular a conversa fiada e ir direto às novidades. Abriu o olho para começar a contar tudo.

Mas ele não estava lá. Ela estava sozinha no mar de água salgada fria que ela mesma mergulhou. É isso o que acontece quando se empurra para fora todos que tentam entrar para ficar na sua vida. É isso o que acontece quando se tem medo de confiar.

Mesmo o amando.

Mas naquele momento ele estava lá, mesmo que na sua imaginação. E isso era o suficiente – por enquanto.

 

Ellis Bell

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